Um lugar bonito

Alicerces

A vida é curta, mas isso eu escondo de meus filhos.
A vida é curta e encurtei a minha
de mil maneiras deliciosas e imprudentes,
mil maneiras deliciosamente imprudentes
que esconderei de meus filhos. O mundo é no mínimo
cinquenta por cento terrível, e essa estimativa
é conservadora, embora isso eu esconda de meus filhos.
Para cada pássaro, há uma pedra jogada em um pássaro.
Para cada criança amada, uma criança em pedaços, dentro de um
saco, submersa em um lago. A vida é curta e no mínimo metade
do mundo é terrível, e para cada gentil
desconhecido, há um que te deixaria em pedaços,
mas isso eu escondo de meus filhos. Tento
vender-lhes o mundo. Qualquer corretor de imóveis decente,
ao nos guiar por um lugar de merda, tagarela sobre
seus alicerces: esse lugar poderia ser bonito,
não é mesmo? Você poderia fazer desse um lugar bonito.

(Maggie Smith, tradução minha)


Original:

Good Bones

Life is short, though I keep this from my children.
Life is short, and I’ve shortened mine
in a thousand delicious, ill-advised ways,
a thousand deliciously ill-advised ways
I’ll keep from my children. The world is at least
fifty percent terrible, and that’s a conservative
estimate, though I keep this from my children.
For every bird there is a stone thrown at a bird.
For every loved child, a child broken, bagged,
sunk in a lake. Life is short and the world
is at least half terrible, and for every kind
stranger, there is one who would break you,
though I keep this from my children. I am trying
to sell them the world. Any decent realtor,
walking you through a real shithole, chirps on
about good bones: This place could be beautiful,
right? You could make this place beautiful.

(Maggie Smith, Waxwing magazine, Issue IX, Summer 2016) 

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