Feito onda mordendo as margens

quando homem
entra em mulher,
feito onda mordendo as margens,
de novo e de novo,
e a mulher abre a boca de prazer
e seus dentes brilham
como o alfabeto,
a língua vem e verte o leite de uma estrela,
e o homem
dentro da mulher
ata um nó
para que jamais
sejam separados
e a mulher
escala uma flor
e engole seu caule
e de novo vem a língua
que desata os rios.

este homem,
esta mulher
com dupla fome,
ousaram atravessar
o véu de deus
e, por um instante, conseguiram,
ainda que, sem dó,
deus, em sua perversidade,
desate o nó.

(Anne Sexton, tradução minha)


Original

“When man
enters woman,
like the surf biting the shore,
again and again,
and the woman opens her mouth in pleasure
and her teeth gleam
like the alphabet,
Logos appears milking a star,
and the man
inside of woman
ties a knot
so that they will
never again be separate
and the woman
climbs into a flower
and swallows its stem
and Logos appears
and unleashed their rivers.
This man,
this woman
with their double hunger,
have tried to reach through
the curtain of God
and briefly they have,
though God
in His perversity
unties the knot.”
(Anne Sexton, The Complete Poems, 1981)
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